11 de jan de 2010

As diferenças no relacionamento conjugal

Após ouvir as queixas daquela mulher de ter um marido calado, individualista, irritadiço, etc, etc, perguntei-lhe: “Você sabia que ele era assim antes de casarem-se?” Sem que me causasse qualquer surpresa, ouvi sua resposta: “Sim, mas pensei que, com o tempo, ele fosse mudar.” Muitas mulheres se casam pensando dessa forma. Entram para o casamento cheias da expectativa de ter um marido ideal, pensando que conseguirão moldá-lo, de acordo com uma imagem que idealizaram durante a vida. Mais cedo ou mais tarde, fatalmente, descobrirão que essa é uma missão impossível, porque se casou com um homem real, com idéias e vontades próprias.

Além do mais, a verdade é que ninguém muda ninguém. As mudanças ocorrem com o crescimento pessoal e a conscientização interior. Com uma disposição que vem de dentro para fora e não por causa de uma pressão externa. Isto quer dizer que por mais que uma esposa reclame, chore ou implore, não terá sucesso no objetivo de provocar mudanças significativas em seu marido. Isso só acontecerá se ele próprio chegar à conclusão de que seu comportamento não é adequado, que não está feliz assim, que não é vergonhoso mudar de opinião ou de comportamento, que o ser humano tem uma potencialidade enorme de crescer e amadurecer e tornar-se uma pessoa cada vez melhor. Porém, esse é um caminho longo e doloroso. Cada ser humano é produto de uma família, uma sociedade, uma cultura. Internalizamos, desde a infância e no decorrer da vida, valores, regras e costumes que ficam enraizados. Cortar e remover essas raízes e dar lugar a novos valores e conceitos, provoca um profundo sofrimento. Tomar conhecimento destas coisas é importante em dois aspectos: para que a esposa se conscientize de que construiu a imagem de um esposo, para si, através do relacionamento com seu próprio pai e de acordo com os padrões de sua família (idealização) e, também, para que compreenda que seu esposo, da mesma forma, tem suas idealizações e expectativas.

A esposa só poderá ajudar seu esposo nesse processo de mudança se puder proporcionar-lhe uma convivência amigável e o conforto de que é aceito e amado do jeito que é. É claro que todas essas considerações não eliminam o conflito existente numa esposa insatisfeita com seu marido. É preciso que ela considere sua própria disposição em trabalhar esse relacionamento. Pois, o crescimento dele como pessoa e, consequentemente, suas mudanças, só ocorrerá se ele encontrar um campo seguro para expressar tudo o que é, sabendo que o amor da esposa será capaz de compreendê-lo e aceitá-lo. Deus nos ama independentemente da maneira pela qual nos comportamos. Se dependêssemos disso, seríamos rejeitadas para sempre. Deus nos ama do jeito que somos, com nossas peculiariedades, capacidades e, também, limitações.

A certeza desse amor incondicional nos traz o desejo de crescer e acrescentar novas possibilidades de ser. Certamente, a exigência contínua de uma esposa de fazer seu marido mudar, esteja gerando nele uma insegurança quanto ao amor dela, pois a necessidade de aceitação é básica para todas as pessoas. Ninguém gosta que venham lhe ensinar o que deve fazer ou como se comportar. Essa é uma atitude própria de pai e mãe no processo de educar os filhos e não de adulto para adulto. Em qualquer relacionamento é muito fácil culpar o outro, dizendo: “Ë por causa dele que eu sou assim”. É mais fácil apontar e querer consertar o outro do que distinguir o que precisa ser consertado em nós mesmas. O casamento é uma parceria, onde cada qual tem responsabilidades no relacionamento. Num bom casamento, marido e mulher permanecem juntos apesar das diferenças individuais. Será que você é capaz de avaliar qual é a sua necessidade ao querer modelar seu esposo? Muitas pessoas são inseguras e precisam de auto-afirmação. Outras têm necessidade de controlar ou dar ordens aos outros. Mas, manipular as pessoas por causa disso, é uma atitude doentia. Quando éramos meninas, brincávamos com nossas bonecas. Eram nossas.

Podíamos fazer o que queríamos com elas e elas permaneciam com aquele sorriso inexpressivo. Agora, somos mulheres. Não brincamos mais com bonecos. Lidamos com seres humanos. Recentemente, fazendo um trabalho com um grupo de mães, numa escola, uma senhora levantou essa mesma questão, com o consentimento de várias outras mulheres. Perguntei-lhe quem a havia obrigado a se casar. “Ninguém me obrigou; eu é que escolhi.” Respondeu ela. Dei um grande sorriso e perguntei a todas: “Se foram vocês que escolheram seus maridos, do que é que estão reclamando?” E todas riram. Nem tudo o que descobrimos a respeito de nosso parceiro é bom ou belo, mas é melhor compartilhar a vida com alguém que mostra ser o que é do que com alguém que finge ser o que não é. É muito mais rico e produtivo conviver com alguém que é real, não produto de uma idealização fantasiosa. É preciso aceitar e amar, incondicionalmente, a pessoa com quem decidimos nos casar. Só assim poderemos nos tornar livres para vivermos e apreciarmos, realmente, o homem com quem nos casamos. Veja as diferenças que existem entre vocês como algo positivo e que dá um colorido especial ao seu casamento. Você quer tentar? Experimente. Você contemplará milagres!

Psic. Elizabete Bifano

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