29 de ago de 2008

A voz do Bom Pastor e a “voz da verdade”

Nesses últimos dias, em cumprimento do que está escrito em 2 Timóteo 4.1-5, pastores, pregadores, ensinadores e cantores que pensam ter a “voz da verdade”, arvoram-se contra doutrinas inegociáveis e inquestionáveis da Palavra de Deus, como a Trindade. Mas, em João 10.27, o Senhor Jesus, o Bom Pastor, disse: “As minhas ovelhas ouvem a minha voz, e eu conheço-as, e elas me seguem”.

Certo grupo, que tem grande influência sobre a juventude evangélica, tem verberado abertamente contra a cristalina doutrina da Trindade, posando de vítima, estrategicamente, dizendo-se perseguido pelos apologetas. Não podemos nos deixar enganar, pois quem tem a palavra final é a Bíblia, e os que dizem ter a “voz da da verdade” não querem aceitar o que diz a Palavra de Deus.

A Trindade no Antigo e no Novo Testamentos

Recentemente, em uma longa entrevista, perguntados sobre o fato de, na criação do mundo, Deus ter falado em plural (Gn 1.26), os componentes do tal grupo que pensa ter a “voz da verdade” simplesmente negaram a existência das três Pessoas, usando como fonte de autoridade a própria razão. Ignoraram: (1) que o termo hebraico Elohim (Deus), em Gênesis 1.1, denota pluralidade de Pessoas; (2) que o Espírito Santo é mencionado no versículo 2; (3) que há várias outras passagens veterotestamentárias em que o Senhor fala em plural (Gn 3.22; 11.7; Is 6.1-8); (4) que em Deuteronômio 6.4 a palavra hebraica echad (único) indica “unidade composta”, como ocorre no caso de marido e mulher sendo “uma só carne” (Gn 2.24); (5) e que o Salmo 2.7 diz: “Tu és meu Filho, eu hoje te gerei”.

Ao serem questionados sobre a menção à Trindade na passagem que narra o batismo de Jesus (Mt 3.13-17), disseram, em total desrespeito à Bíblia, que não aparecem ali as três Pessoas. É claro que a doutrina da Trindade é um mistério que desafia o nosso limitado raciocínio (1 Co 2.14,15). Contudo, como a fé precede a razão, não podemos simplesmente negar a clareza do Novo Testamento quanto à Santíssima Trindade. O que vemos em Lucas 1.35 e 11.13 não são as três Pessoas? Não é o Senhor Jesus o Filho unigênito do Pai? Não tem nenhum valor o Evangelho Segundo João? Leia, sem preconceito, João 3.16,34,35; 5.32,37; 14.16; 15.26; 16.8-11; 17.1-5; 19.30.

A quem Jesus orava, chamando de “Pai, que está nos céus” (Mt 7.21; 10.32,33; 11.25; Jo 11.41,42), quando andou na terra? A Ele mesmo? Quando Ele disse: “Eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, para que fique convosco para sempre” (Jo 14.16), estava olhando para o espelho e pedindo para Ele mesmo enviar a si próprio? A quem o Senhor Jesus entregou o seu espírito, ao orar: “Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito” (Lc 23.46)? Por quem Ele foi exaltado soberanamente (Fp 2.6-11)?

Alguém argumentará: “Ah, mas a palavra 'Trindade' não aparece na Bíblia”. É mesmo? Também não encontramos nas páginas sagradas termos como “onisciência” e “onipresença”, mas nem por isso dizemos que o Senhor não é onisciente ou onipresente, não é mesmo?

Jesus é o Mediador e está à direita de Deus Pai

Ainda na tal entrevista, os que dizem ter a “voz da verdade” afirmaram que quem lê o que está escrito claramente na Bíblia, como o fato de Estêvão ter visto Jesus à direita de Deus (At 7.55), está analisando a Bíblia com os olhos humanos, e não com os olhos do Espírito. Meu Deus! Com todo o respeito, dizer isso é desrespeitar as Escrituras e agredir o nosso bom senso! Eles nunca leram Colossenses 3.1,2? O Senhor Jesus está assentado à destra de Deus!

Eles também se posicionam contra a clareza do que o Senhor Jesus falou em João 14.16. Ele afirmou que o Pai enviaria “outro” Consolador. Ou seja, Jesus é o Consolador, o Maravilhoso Conselheiro, o nosso Advogado (Is 9.6; 1 Jo 2.1), e o Espírito Santo é o “outro”. Este termo, no grego, na passagem citada, é allos, e não heteros (cf. 1 Tm 6.3,4). Ou seja, o Espírito Santo é outra Pessoa, mas da mesma categoria de Jesus, isto é, uma Pessoa divina (At 5.1-5), pois a Trindade não são três Deuses (triteísmo), e sim três Pessoas que formam um único Deus (triunidade).

Os que dizem ter a “voz da verdade” insistem em afirmar que não existe Trindade e ficam irritados com quem se contrapõe aos seus desvios das Escrituras. Mas, por que o Senhor Jesus é o Mediador entre Deus e os homens, conforme 1 Timóteo 2.5? Por que o Senhor disse que é o caminho pelo qual o ser humano conhece ao único Deus verdadeiro (Jo 14.6; 17.3)?

Por que os apóstolos batizaram em nome de Jesus?

Mas os argumentos empregados por eles para negar a Trindade são simplesmente uma tentativa de fazer prevalecer a lógica humana. Usam, por exemplo, o fato de os apóstolos terem batizado em nome de Jesus, demonstrando total falta de conhecimento do contexto da Palavra de Deus. Tudo o que os apóstolos fizeram foi na autoridade do nome de Jesus (Mc 16.15-20). Pregavam, ensinavam, curavam, expulsavam demônios, batizavam, tudo em nome de Jesus, isto é, na autoridade do nome do Senhor Jesus (At 3.6; 4.7-10; 16.18).

Segue-se que a declaração de Pedro, em Atos 2.38, “... cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo” não nos autoriza a rejeitar a fórmula que o próprio Senhor Jesus ordena em Mateus 28.19. Por isso, em Colossenses 3.17, está escrito: “E, quando fizerdes por palavras ou por obras, fazei tudo em nome do Senhor Jesus, dando por ele graças a Deus Pai”. Conclui-se, pois, que a declaração apostólica “em nome de Jesus Cristo” equivale a “pela autoridade de Jesus Cristo”.

Mesmo ante tantas evidências bíblicas em prol da doutrina da Trindade, os seguidores da chamada unicidade modalística (ou unicistas) dizem, “modestamente”, que estão certíssimos, pois João viu uma só Pessoa assentada sobre o trono! Meu Deus, esses que dizem ter a “voz da verdade” nunca leram o Apocalipse? Logo no primeiro capítulo está escrito: “Àquele que nos ama, e em seu sangue nos lavou dos nossos pecados, e nos fez reis e sacerdotes para Deus e seu Pai...” (vv.5,6). Nunca leram o capítulo 5? João viu na destra do que estava assentado sobre o trono um livro. Em seguida, surge o Cordeiro de Deus: “E veio, e tomou o livro da destra do que estava assentado no trono” (vv.1-7). Depois, no cântico de louvor ao Cordeiro, é dito que Ele comprou com o seu sangue homens para Deus (vv.8,9).

Por que não devemos negar a doutrina da Trindade?

É um grande erro pensar que a doutrina da Trindade não é importante e que pode ser negada sem maiores conseqüências, pois:
a) Quem nega a Trindade é contra a Bíblia.
b) Quem nega a Trindade opõe-se ao próprio Senhor Jesus.
c) Quem nega a Trindade rejeita o Espírito Santo, posto que Ele é uma Pessoa e é Deus.
d) Quem nega a Trindade opõe-se à própria teologia, haja vista ser a Trindade a chave para várias outras doutrinas fundamentais.
e) Quem nega a Trindade rejeita o próprio plano da salvação, pois, na obra salvífica, o Pai enviou o Filho (Gl 4.4,5), que consumou a obra recebida daquEle (Jo 17,4,5; 19.30); e o Espírito Santo é quem convence o pecador dessa maravilhosa salvação (Jo 16.8-11).

“A graça do Senhor Jesus Cristo, e o amor de Deus, e a comunhão do Espírito Santo seja com vós todos. Amém.” (2 Co 13.13).

Ciro Sanches Zibordi

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